23 junho, 2008

Retalhos da vida de uma esposa de caçador

Lembram-se das promessas do altar: (“Eu , recebo-te por meu esposo a ti , e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida”)?
Pois eu venho aqui defender que para as noivas de caçadores se inclua “quer sejam de caça ou não”. E que se explique bem tudo o que isto quer dizer. Tomemos por exemplo o caçador português ferrenho de classe média que vai a todas: aos coelhos, pombos, codornizes, perdizes, rolas, tordos, montarias, batidas e esperas (estou a esquecer-me de alguma?) e só não faz safaris por os euros não chegam. Tudo marcado no calendário são mais as datas de caça do que as outras.
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Sendo assim a futura esposa convém saber com o que não pode contar nos “dias sagrados”:
-festa de casamento (se o dia for de abertura de caça)
-lua de mel (se for nos dias seguintes)
-jantares em família, sejam aniversários, casamentos, batizados, datas especiais ou simples piqueniques
-funerais de parentes indirectos e conhecidos (só se forem colegas de caça)
-apoio na doença (só antes de ir e quando voltar do campo)
-reuniões da escola das crianças, consultas médicas, actividades infantis com os mais pequenos (para os mais distraídos: ir à bola durante um Sporting/Benfica não conta como actividade infantil)
-etc,etc...
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No entanto pode contar com:
-desespero: “- Ó Maria, tu viste as minhas calças camuflado?” (que ficaram meses antes abandonadas num canto com manchas de terra e sangue)
-noites agitadas pela excitação da abertura
-cães, cadelas, cachorros, e as intermináveis “discussões” sobre quem tem o melhor cão “ - Com o meu Fiel, não fica nenhum por levantar!”
-correrias de última hora à espingardaria local
-a peregrinação anual à Expocaça
-etc, etc, etc
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À primeira vista pode parecer complicado. Minha cara amiga, é pior! Uma segunda vista vai mostrar-lhe que nada é mais importante do que a jornada de caça: pedem-se folgas para ir caçar mas não para ir ao médico, a crise não permite ir de férias mas não se pode faltar à montaria, o carro precisa de ir à revisão mas não à tempo porque os cães tem de ser treinados. Zangar-se, ralhar e amuar? Esqueça, só vai fazê-lo sair mais cedo e voltar mais tarde (fala a voz da experiência). Arranjar-se toda e sussurrar-lhe propostas ao ouvido? Talvez resulte, mas na maioria dos casos nem isso – na cabeça deles a caça não espera e você vai estar aí quando ele voltar.

Nos dias piores pode até pensar surpreendê-lo e não estar lá quando ele voltar. “-Talvez perceba...” pensa você. Mas ele não vai perceber – a paixão pela caça está acima de qualquer entendimento. Portanto, que fazer? Isso depende de si. Quanto a mim já percebi que os avós tem razão ao dizer que se não podes vencê-los, junta-te a eles!
Olhando à volta descobre-se quase sempre uma mãe, sogra, irmã, madrinha ou amiga que fique com as crianças umas horas para que se possa namorar com o esposo-caçador. Não há que ter ilusões: vai passar o dia atrás dele, sem que lhe ligue nenhuma e o pior(!) livre-se de fazer barulho e assustar a presa – corre o risco de voltar para casa a pé! À que contar com calor, com chuva, com espinheiros, com bichos de toda a espécie (sim, cobras também!), com as pulgas dos cães como cantavam os GNR mas efectivamente talvez prefira estar no mato a pensar em casa, do que estar em casa a pensar no homem que a essa hora desbrava o mato.
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Tudo junto, e porque o “Ensopado de coelho” está quase a queimar, termino juntando a lista daquilo com que agora posso contar, graças a uma pequena mudança de atitude:
-muitos passeios pedestres (durante a caça e o treino dos cães)
-muitas horas de boa leitura em paz quase absoluta (mas montarias)
-muitos almoços e jantares e a casa cheia de gente animada (um pouco de desarrumação também nunca matou ninguém)
-compras e o descobrir que a moda camuflado também existe para nós (e é bem gira!)
-fotos fantásticas (à falta de pontaria para atirar, fotografa-se!)
-conhecer outras regiões, outros sabores, outras receitas
-oportunidade de pôr a conversa em dia com as amigas, ir ao cinema, passear, aprender a pintar, a fazer arraiolos ou yoga (quando optamos por ficar em casa)
-e no final do dia, o prazer de ouvir muitas estórias à lareira, os olhos brilhantes de um homem que está feliz, o abraço de quem procura um apoio porque as pernas já não aguentam com dores de tantos kms percorridos...
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Esposas de caçador, uní-vos! Façam-se convidadas: a espera faz-se no campo em noites de lua cheia, não em casa nas tardes de domingos de chuva. A realidade é que podemos até concorrer com outras mulheres, mais por mais bonitas que sejamos nunca estaremos à altura de uma bela lebre. Resta-nos o consolo de saber que o calendário venatório tem dias e horas marcadas e que mais cedo ou mais tarde o nosso homem regressará a casa.



07 junho, 2008

??????????

Vou?(gostava tanto....)
Não vou?(é tão caro...)
Vou?(ia ser tão fixe...)
Não vou?(e deixo as miúdas com quem..)
Vou?(eu mereço..)
Não vou?(MAS É TÃO CARO...)
Vou?(mas afinal trabalho para quê)
Não vou?(tenho que pedir a tarde de folga...)
Vou?(Orishas, Clã, Kaiser Chiefs, Muse, Offspring e Linkin Park)
Não vou?(...DA-SE, É TÃO CARO!!!)
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.(dias e dias, horas e horas depois)
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FUI!!!!! E foi ASSIM.
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.já agora, uma lista de eventos a viver (contigo) antes de morrer :
- Noite de Santo António em Lisboa
- Noite de São João no Porto
- Concentração Motard em Faro
-...(lista em execução ;)